Postado por admin em 09/dez/2014 - Sem Comentários

Estudo no exterior: o primeiro passo é planejar

Estudar fora do país de origem não é tão simples quanto pode parecer. Saiba quais são os procedimentos necessários para se realizar a tão sonhada experiência internacional de maneira eficaz.

Começo de ano é sempre igual: a lista de desejos aumenta e inúmeras são as aspirações a serem perseguidas durante os próximos doze meses. Entre elas, pode estar aquela vontade de estudar no exterior. Se você quer ter uma experiência internacional em breve, mas não sabe por onde começar, fique ciente de que você vai ter bastante trabalho para definir e acertar todos os detalhes. O primeiro passo é planejar. Uma temporada fora do país não significa um bate volta na praia. Existem muitos procedimentos que devem ser preparados antes do embarque: como providenciar o visto, seguro, passagens áereas, escolher o curso, a instituição, acomodação, alimentação. Resumindo: muita burocracia.

Preparar todos os procedimentos da viagem requer um tempo essencial de preparação.Por isso, é preciso planejá-la com, pelo menos, um semestre de antecedência e ficar atento aos prazos legais dos processos. “O estudante pode não fazer o intercâmbio porque deixou para última hora. O visto, muitas vezes, demora para sair.

Existem, ainda, as concorrências nas passagens aéreas”, afirma a presidente da Belta (Brazilian Educational & Language Travel Association – Associação de Agências de Intercâmbio), Tatiana Visnevski de Carvalho Mendes. “Programações bem realizadas trazem melhores resultados”, assegura. A questão do investimento é uma outra barreira para a concretização desse sonho. Além dos custos do curso, existem também os gastos com as passagens, alimentação, estadia, seguro…um investimento muito alto. No entanto, é possível e desejável planejar os estudos para não ter surpresas ou estourar o orçamento pessoal e familiar. Além do mais, procurar uma bolsa para auxiliar nas despesas pode ser um outro caminho, que também demanda tempo para ser alcançado.

Mas todo o cuidado é pouco neste processo. São muitas as opções e muitos os detalhes que devem ser levados em consideração na hora da escolha. “Sem um apoio, as chances de erros são maiores. Não recomendaria nenhum aluno fazer isto sozinho, até porque é bastante inexperiente. Não sabe discernir o bom do ruim”, ressalta a assessora de Relações Interinstitucionais e Internacionais da UCS (Universidade Caxias do Sul), Luciane Stallivieri. “São muitos os detalhes. Por isso, eu insisto:é muito importante que o aluno converse ou com o diretor de Relações Internacionais da universidade, ou que busque ajuda nas agências de intercâmbio”.

Se o estudante optar por procurar uma operadora de intercâmbio, Tatiana recomenda que seja uma das associadas da Belta. “Este é um fator a mais de segurança, já que as agências têm que passar por um rigoroso processo de avaliação para se tornar uma associada”.

Por onde começar?

Antes de qualquer coisa, o estudante deve identificar os seus anseios e traçar os seus objetivos referentes à experiência internacional, e, assim, planejar um roteiro que atenda a suas expectativas iniciais. “Mais do que isso, é preciso estar disposto a enfrentar todos os prós e contras, pois não é um processo simples”, garante Luciane. Neste primeiro momento, as pesquisas são excelentes ferramentas. No entanto, a assessora alerta que é preciso filtrar as informações. “A Internet não é uma fonte muito confiável. O ideal são os sites oficiais.” As agências de intercâmbio, os escritórios de Relações Internacionais e ex-intercambistas também podem ser outros meios facilitadores para se trilhar este caminho inicial.

O próximo passo é dar forma ao programa, mas, para isso, é preciso fazer algumas escolhas, tais como: tipo do curso, país de destino, instituição e duração. É essencial que o estudante pense bem e conheça o melhor possível o país de seu destino e a localidade onde pretende se instalar, sempre pontuando os prós e contras de cada escolha, tentando minimizar ao máximo a possibilidade de engano na tomada de decisão. Também é de suma importância a escolha do curso e a instituição, pois delas dependerá o sucesso de seu aprendizado ou treinamento. Sobre a duração da estadia, o jovem deve ter em mente suas disponibilidades financeiras para não correr o risco de ficar sem dinheiro no meio do período dos estudos.

Com todos estes aspectos definidos, algo que não é muito fácil diante da quantidade de oportunidades, as preocupações passam a estar voltadas aos processos burocráticos. Providenciar toda a documentação necessária para a obtenção do visto, do seguro saúde e ainda, em alguns casos, a carta de aceitação da instituição de ensino. Feito isto, é hora de procurar uma acomodação e, em seguida, marcar a passagem.

Como escolher a instituição e o curso?

Este é um assunto bastante delicado. Antes de qualquer decisão, é preciso observar os seguintes aspectos: qualidade da instituição, do curso e a titulação dos professores. Mas este é um fator que varia de acordo com o tipo de curso desejado. Na graduação, pós-graduação e especialização, os cuidados devem ser redobrados. Além de todos estes procedimentos básicos, o estudante tem que estar atento à validação do diploma no Brasil. “Embora quem vá guiar este reconhecimento seja o mercado de trabalho, em alguns casos é essencial que o certificado do curso seja reconhecido pelo MEC ou que exista uma transferência de créditos”, afirma Luciane.

Ainda que os cursos de inglês não visem reconhecimento universitário, as medidas devem ser similares. “As instituições e os cursos podem comprometer o sucesso do intercâmbio, acarretando prejuízos ao intercambista”, previne a presidente da Belta. “O primeiro cuidado é saber se se está investindo em uma escola que, dentro da área de estudo, tem um bom posicionamento e se é bem vista pelo mercado de trabalho.”

Outras providências

A acomodação é um outro fator que precisa e deve ser levado em consideração na hora do planejamento. Embora possa parecer algo sem muita importância, pode comprometer, direta e indiretamente, a qualidade do intercâmbio. “A má acomodação interfere na qualidade de vida e, conseqüentemente, nos estudos”, diz Luciane. Não é recomendável que o aluno busque albergues pela Internet. Procurar informações nas próprias universidades ou nas agências especializadas é mais seguro. “Além disso, a primeira contratação deve ser por um período pequeno, de no máximo um mês. Assim, o estudante pode escolher uma nova acomodação, caso não se adapte à primeira.”

E a passagem? Neste aspecto, a questão do valor é a que se sobressai. “Ao comprar a passagem de última hora, em primeiro lugar, perde-se todos os descontos, as classes mais econômicas e as passagens promocionais”, conta Tatiana. Além do preço, são muitos os valores que estão envolvidos e sem a passagem o estudante pode correr o risco de colocar tudo por água abaixo.

Com um planejamento bem elaborado, o intercâmbista pode chegar ao país de destino com antecedência e ter um tempo de adaptação sem comprometer o programa. “O ideal é chegar pelo menos uma semana antes das aulas para colocar o fuso horário e o relógio biológico em dia”, sugere a assessora de Relações Interinstitucionais e Internacionais da UCS. “As pessoas que fazem este planejamento têm o privilégio de pegar um lugar adequado no vôo, escolher a melhor data, a melhor época e pegar as passagens promocionais. Um grande investimento na vida não pode ser realizado de qualquer jeito.”

Um caso de sucesso

O sucesso de uma viagem internacional está indiretamente relacionado ao processo de planejamento. Seguindo todas as dicas propostas pelos especialistas, o administrador César Augusto Mezomo, 29 anos, conseguiu realizar com êxito a sua pós-graduação em Finanças na Universidade de Bekerley (EUA).

Foram meses de preparação para que o sonhado intercâmbio se concretizasse. A cautela com todos estes procedimentos foi, na opinião do administrador, o principal fator a contribuir para o bom andamento do programa. “O planejamento é o reflexo da viagem. Graças ao sucesso deste processo, consegui obter os resultados esperados.” Mudanças? Se pudesse voltar no tempo, Mezomo repetiria todas as suas ações, sem tirar e nem acrescentar nada. “Não iria nem mais cedo, nem mais tarde, iria para o mesmo lugar e faria o mesmo curso. Tudo que planejei saiu da forma como esperava e desejava”.

As dificuldades, segundo Mazono, são freqüentes em todos os processos que envolvam uma viagem como esta: pré, durante e pós-viagem. Mas o administrador ressalta que todas estas barreiras são recompensadas pelos benefícios que o intercâmbio traz para a vida pessoal e profissional. “Em doze meses, consegui aprender coisas que talvez demoraria uma vida inteira para adquirir”, conclui. (Clique no link do quadro acima para conhecer um pouco mais da experiência deste ex-intercambista).

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